Teste: você é um mentiroso profissional?

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Ninguém sai por aí proclamando, cheio de orgulho, que sabe mentir muito bem. Mas a verdade é há momentos em que todos nós gostaríamos de ser capazes de mentir de maneira realmente convincente.

Apenas mentirosos profissionais têm autocontrole suficiente para mentir deliberadamente sem se entregar. Faça o teste e descubra se você é um deles ou não.

1 – Enquanto você mente:

a) Desvia o olhar, para não se entregar
b) Mantém contato visual o tempo todo, na tentativa de passar a impressão de confiança

2 – Você foi pego de surpresa por uma pergunta que não quer responder e resolve mentir. Sua primeira reação é:

a) Dar uma resposta rápida e evasiva, para ganhar tempo
b)Inventar uma história qualquer, que seja minimamente consistente

3 – Quando mente, o pensamento que predomina na sua mente é:

a) “Preciso agir como se fosse verdade”
b) “Espero que isso termine logo”

4 – Seu interlocutor está desconfiado de que você está mentindo e repete as mesmas perguntas. Você:

a) Conta a mesma história, todas as vezes
b) Insere novos detalhes a cada resposta

5 – Enquanto mente:

a) Mantém o corpo relaxado
b) Fica se remexendo em seu lugar

Pontos:

1 – a=1; b=2
2 – a=2; b=1
3 – a=2; b=1
4 – a=1; b=2
5 – a=2; b=1

Resultado:

De 5 a 7

Você não está acostumado a mentir e seu corpo denuncia a verdade sem que você o consiga controlar. Pode até convencer em um primeiro momento, mas sua mentira não se sustenta.

De 8 a 10

Você não apenas está acostumado a mentir como se aperfeiçoou nessa “arte” de moral duvidosa. Dificilmente é pego.

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“Mentir é fácil. Difícil é sustentar a mentira”

Barão de Münchhausen

Entrevistamos o Dr. Breno Montanari, psiquiatra forense com mais de 30 anos de experiência, para entender um pouco mais sobre a mentira.

1)      Quando a mentira deixa de ser um recurso natural e passa a ser patológica?

Existem mentiras que são consideradas inocentes, como aquelas que servem para driblar uma saia justa, e até necessárias, como quando o médico esconde do paciente terminal seu real estado de saúde.

Há também os mentirosos profissionais, que mentem para obter ganhos. É o caso do político desonesto e do estelionatário. Eles mentem com freqüência e são bons nisso; dificilmente são pegos.

Mas nenhum dos casos acima é considerado patológico.

A mentira é parte de uma doença quando não é voluntária. É aí que está a diferença.

O mentiroso compulsivo não consegue controlar a vontade de mentir. Ele mente sobre praticamente tudo, inclusive coisas pequenas. Não há ganho na sua mentira – ela é simplesmente irresistível. Muitas vezes, ele nem se preocupa em “esconder” as provas que depõem contra ele.

2) É verdade que poucas pessoas têm estrutura emocional para mentir e sustentar a mentira? Que a maioria não suporta o tranco e se convence de que a mentira que está contando é verdade?

Para a primeira parte da pergunta, a resposta é sim, pouca gente tem estrutura emocional para mentir. É justamente por isso que, enquanto mentem, sua linguagem corporal os denuncia.

A mentira em si é algo pontual, rápido e relativamente fácil de contar. O que é difícil é sustentar a mentira, porque isso envolve dissimulação. A pessoa tem de inventar uma história, decorá-la, criar álibis. Isso gera nervosismo e é esse o tranco que você menciona.

Mas a resposta para a segunda parte da pergunta é não, as pessoas não se convencem de suas mentiras. O que acontece é que os mentirosos profissionais sabem agüentar o tranco, estão preparados para isso. Não porque acreditem que o que dizem é verdade, mas porque têm um objetivo claro com a mentira e se esforçam para que os outros acreditem.

3) É verdade que quando uma criança descobre a mentira ela experimenta uma grande sensação de liberdade, ao perceber que nem tudo o que fala precisa ter acontecido ou acontecer?

Mentir é natural, ou seja, a gente aprende desde cedo, sem que ninguém ensine. Os estudiosos acreditam que, até os 7 anos de idade, a criança não é capaz de diferenciar verdade e mentira. É por isso que, mesmo que seja testemunha ocular de um crime, seu depoimento não é aceito como prova em um julgamento.

O que acontece é que a criança mente para fugir da responsabilidade, do castigo. Ela não vê a questão moral. Os pais, então, ensinam que mentir é errado e associam a mentira à punição e, a verdade, à recompensa e, só depois disso, começamos a mentir com “maldade”.

4) Qual é o maior mentiroso da literatura mundial?

O Barão de Münchhausen, dos contos de Rudolph Erich Raspe (que ilustra o post, em retrato de G. Bruckner).

5) E do cinema?

Fletcher Reede, o personagem de Jim Carrey em O Mentiroso.

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