“Mentir é fácil. Difícil é sustentar a mentira”
September 23rd, 2009

Entrevistamos o Dr. Breno Montanari, psiquiatra forense com mais de 30 anos de experiência, para entender um pouco mais sobre a mentira.
1) Quando a mentira deixa de ser um recurso natural e passa a ser patológica?
Existem mentiras que são consideradas inocentes, como aquelas que servem para driblar uma saia justa, e até necessárias, como quando o médico esconde do paciente terminal seu real estado de saúde.
Há também os mentirosos profissionais, que mentem para obter ganhos. É o caso do político desonesto e do estelionatário. Eles mentem com freqüência e são bons nisso; dificilmente são pegos.
Mas nenhum dos casos acima é considerado patológico.
A mentira é parte de uma doença quando não é voluntária. É aí que está a diferença.
O mentiroso compulsivo não consegue controlar a vontade de mentir. Ele mente sobre praticamente tudo, inclusive coisas pequenas. Não há ganho na sua mentira – ela é simplesmente irresistível. Muitas vezes, ele nem se preocupa em “esconder” as provas que depõem contra ele.
2) É verdade que poucas pessoas têm estrutura emocional para mentir e sustentar a mentira? Que a maioria não suporta o tranco e se convence de que a mentira que está contando é verdade?
Para a primeira parte da pergunta, a resposta é sim, pouca gente tem estrutura emocional para mentir. É justamente por isso que, enquanto mentem, sua linguagem corporal os denuncia.
A mentira em si é algo pontual, rápido e relativamente fácil de contar. O que é difícil é sustentar a mentira, porque isso envolve dissimulação. A pessoa tem de inventar uma história, decorá-la, criar álibis. Isso gera nervosismo e é esse o tranco que você menciona.
Mas a resposta para a segunda parte da pergunta é não, as pessoas não se convencem de suas mentiras. O que acontece é que os mentirosos profissionais sabem agüentar o tranco, estão preparados para isso. Não porque acreditem que o que dizem é verdade, mas porque têm um objetivo claro com a mentira e se esforçam para que os outros acreditem.
3) É verdade que quando uma criança descobre a mentira ela experimenta uma grande sensação de liberdade, ao perceber que nem tudo o que fala precisa ter acontecido ou acontecer?
Mentir é natural, ou seja, a gente aprende desde cedo, sem que ninguém ensine. Os estudiosos acreditam que, até os 7 anos de idade, a criança não é capaz de diferenciar verdade e mentira. É por isso que, mesmo que seja testemunha ocular de um crime, seu depoimento não é aceito como prova em um julgamento.
O que acontece é que a criança mente para fugir da responsabilidade, do castigo. Ela não vê a questão moral. Os pais, então, ensinam que mentir é errado e associam a mentira à punição e, a verdade, à recompensa e, só depois disso, começamos a mentir com “maldade”.
4) Qual é o maior mentiroso da literatura mundial?
O Barão de Münchhausen, dos contos de Rudolph Erich Raspe (que ilustra o post, em retrato de G. Bruckner).
5) E do cinema?
Fletcher Reede, o personagem de Jim Carrey em O Mentiroso.
Tags: Barão de Münchhausen, criança, Fletcher Reede, Jim Carey, mentir, mentira, mentiroso compulsivo, mentiroso profissional, moral, verdade
One Response to ““Mentir é fácil. Difícil é sustentar a mentira””
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Mentira.blog » Blog Archive » Dicas para mentir e sair ileso Says:
October 8th, 2009 at 5:12 pm[...] forma de fazer isso é inserir detalhes novos à medida que conta e reconta a história. Segundo o Dr. Breno Montanari, quando a resposta é muito rápida e coerente, é mentira; quando é verdade, a gente vai [...]



